
PARAÍSO
PARAÍSO
Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...
Podes partir. De nada mais preciso
Para a minha ilusão do Paraíso.
David Mourão-Ferreira, Infinito Pessoal
14/02/2021
Arnaldo Sousa comentou:
Extraordinário poema de um grande Poeta, hoje infelizmente tão esquecido!
Muito boa a ligação com a imagem!
