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Pátria

31-03-2021

Até ao 25 de Abril de 1974, a escrita e a luta contra a ditadura de Salazar confundem-se na vida de Sophia. Sócia fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos políticos, candidata pela oposição democrática em 1969, o Livro Sexto (1962), que integra este poema, exprime um pungente anseio de liberdade num país que proibia e perseguia, numa pátria que era, afinal, para homens e mulheres, um lugar de exílio.



Por um país de pedra e vento duro

Por um país de luz perfeita e clara

Pelo negro da terra e pelo branco do muro


Pelos rostos de silêncio e de paciência

Que a miséria longamente desenhou

Rente aos ossos com toda a exactidão

Dum longo relatório irrecusável


E pelos rostos iguais ao sol e ao vento


E pala limpidez das tão amadas

Palavras sempre ditas com paixão

Pela cor e pelo peso das palavras

Donde se erguem as coisas nomeadas

Pela nudez das palavras deslumbradas


- Pedra rio vento casa

Pranto dia canto alento

Espaço raiz e água

Ó minha pátria e meu centro


Me dói a lua me soluça o mar

E o exílio se inscreve em pleno tempo



Sophia de Mello Breyner Andresen 

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